segunda-feira, 25 de julho de 2011

Terezinha de Jesus


"Fiquei muito feliz em conhecer ainda mais a história de vida da minha conterrânea Terezinha de Jesus. Quero estender meus parabéns, em nome de minha cidade Florânia/RN, a esse jornal e ao repórter Roberto Homem pela magnífica reportagem.
Tenho um blog www.coisasdeflorania.wordpress.com e lá nós fizemos uma sigela homenagem a nossa 'Mais  Bela Voz do Rio Grande do Norte'".
Junior Galdino
[ Fonte (frase): zonasulnatal.blogspot.com ]

"Terezinha é uma das minhas prediletas. Seus discos Vento Nordeste e Caso de Amor foram a trilha sonora da minha adolescência! Parabéns pelo resgate, Roberto!"
Ricardo Guima
[ Fonte (frase): zonasulnatal.blogspot.com ]


Nome completo: Terezinha de Menezes Cruz
Nome artístico: Terezinha de Jesus
Codinome: Tiazinha
Data de nascimento: 03/07/1951
Local: Florânia/RN
Gênero: MPB Nordeste



BIOGRAFIA

Nascida na cidade de Florânia/RN, Terezinha de Jesus estudou numa cidade vizinha, Currais Novos/RN, onde participou de alguns corais. Sua irmã, Odaíres, também cantava, e é cunhada do cantor e compositor Mirabô.

Em 1970 participou do  show "Expo70", em Natal/RN, onde já residia, passando a fazer shows com frequência na cidade. Nos anos seguintes participou de vários festivais regionais, em Natal, Salvador/BA e Recife/PE, tendo ganho um primeiro lugar com a canção "Quero Talvez Uma Nega", dos compositores Ivanildo Cortez e Napoleão Veras.

Com o nome artístico de Tiazinha, tornou-se membro do Grupo Opção, fazendo shows pelo nordeste e com o qual seguiu para o Rio de Janeiro. No Rio de Janeiro conheceu o compositor Abel Silva, que sugeriu que a cantora mudasse seu nome artístico para Terezinha de Jesus, uma clara referência à canção infantil de mesmo nome.

No Rio de Janeiro passou a participar de coros em shows e gravações de artistas famosos, como Tim Maia, Quarteto em Cy, Golden Boys e Trio Esperança. Em 1978 foi apresentada pela Revista de Música como destaque de voz feminina, ao lado da cantora Amelinha.

Seus shows nessa época se tornaram concorridos e, com o aval de Fagner, gravou nesse mesmo ano o seu primeiro disco, um compacto  duplo na CBS, com as músicas "Vento Nordeste" (Sueli Costa e Abel Silva) - regravada no ano seguinte pela cantora Simone - "Cigano" (Fagner), "Não posso crer" (Mirabô / Capinan) e "Fulô da Fuloresta" (João Silva / Geraldo Nunes). Em 1979 lançou o primeiro LP, "Vento Nordeste", que além das músicas do compacto, traz gravações de "Na direção do dia (Toada)" (Juca Filho, Zé Renato e Cláudio Nucci) - gravada depois com grande sucesso pelo grupo Boca Livre - "Curare" (Bororó), "Aves daninhas" (Lupicínio Rodrigues) e "Coração imprudente" (Paulinho da Viola). Esse disco teve participações ilustres de Paulinho da Viola e Dominguinhos. No mesmo ano Terezinha se apresentou em várias cidades com o Projeto Pixinguinha, ao lado de Moraes Moreira e Djavan. Em 1980 lançou o segundo LP, "Caso de amor", com composições de Moraes Moreira, Luiz Gonzaga, Paulinho da Viola, Sueli Costa, Élton Medeiros, Fagner, entre outros. Em 1981 gravou o LP "Pra Incendiar Seu Coração", produzido por Sivuca, cuja faixa-título, de Moraes Moreira e Patinhas é considerada o maior êxito da cantora.

No mesmo ano apresentou-se em Recife e no Rio de Janeiro pelo Projeto Seis e Meia, elém de mais uma vez ser um dos destques do Projeto Pixinguinha. Em 1982 gravou o LP "Sotaque", também produzido por Sivuca, e com músicas de autores como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Guilherme Arantes, Pedro Caetano, Thereza Tinoco, Nélson Ferreira, e outros. Nesse ano participou mais uma vez do Projeto Pixinguinha. Em 1983 lançou o LP "Frágil Força", com músicas de Moraes Moreira, Abel Silva, Moacir Albuquerque e Luiz Melodia, além de regravar a clássica "Linda Flor (Ai ioiô)" (Henrique Vogeler, Luiz Peixoto e Marques Porto). Esse foi seu último disco de seu contrato com a gravadora CBS, que não foi renovado por falta de interesse da cantora, que julgava estar com a carreira estagnada nessa gravadora.

Terezinha continuou morando no Rio de Janeiro/RJ, mas nos anos seguintes não conseguiu mais nenhum contrato para gravação de discos. Em 1988 fez shows com Marinês e o sanfoneiro Severo, no Rio de Janeiro. Em 1994 voltou a residir em Natal, fazendo shows esporádicos na capital do Rio Grande do Norte. Em 2003 foi homenageada pelo conjunto de sua obra com o Prêmio Hangar.

 DISCOGRAFIA

1978 - Compacto

1. Vento nordeste (Sueli Costa / Abel Silva)
2. Cigano (Fagner)
3. Não posso crer (Mentira) (Mirabô / Capinan)
4. Fulô da fuloresta (João Silva / Geraldo Nunes)

1979 - Vento Nordeste

1. Vento Nordeste (Sueli Costa / Abel Silva)
2. Cigano (Fagner)
3. Curare (Bororó)
4. Aves Daninhas (Lupicínio Rodrigues)
5. Fogo Fátuo (Moraes Moreira / Chacal)
6. Foi-se o Tempo (Petrúcio Maia / Fausto Nilo)
7. Coração Imprudente (Paulinho da Viola / Capinan)
8. Não Posso Crer (Mentira) (Mirabô / Capinan)
9. Maresia (Sueli Costa / Abel Silva)
10. Toada (Na Direção do Dia) (Zé Renato / Cláudio Nucci / Juca Filho)
11. Fulô da Maravilha (Luis Bandeira)
12. Fulô da Fuloresta (João Silva / Geraldo Nunes)

1980 - Caso de Amor

1. Tua Sedução (Moraes Moreira / Fausto Nilo)
2. Caso de Amor (Wilson Cachaça / Ronaldo Santos)
3. Qui Nem Jiló (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
4. Acalanto (Mirabeau / Capinan)
5. Cidade Submersa (Paulinho da Viola)
6. Agradecido (Manduka)
7. Alegria e a Dor (Tesouro da Juventude) (Sueli Costa / Abel Silva)
8. Pra Ficar Me Esperando (Beto Fae / Paulo Roberto Barros)
9. Retrato da Vida (Élton Medeiros)
10. Vida Vida (Anísio Silva)
11. Dança (Renato Alt / Luis Sergio dos Santos)
12. Asas (Fagner / Abel Silva)

1981 - Pra Incendiar Seu Coração

1. Amizade (Beto Marques)
2. Quando Chega o Verão (Dominguinhos / Abel Silva)
3. Flor do Xaxado (Mirabeau / Capinan)
4. Pra Incendiar Seu Coração (Moraes Moreira / Patinhas)
5. Amar Quem Eu Já Amei (João do Vale / Libório)
6. Prece ao Vento (Gilvan Chaves / Alcyr Pires Vermelho / Fernando Luis Câmara) - com Odaires
7. Coração Cigano (Zé Renato / Juca Filho)
8. Por Esse Amor (Ronald Pinheiro / Robertinho de Recife)
9. Couraça (Adler São Luis)
10. Eu Vi o Mar Virar Sertão (Sivuca / Cacaso) - com Sivuca
11. Xote Menina (Robertinho de Recife / Fausto Nilo)
12. Rio Coração (Luis Sergio)

1982 - Sotaque

1. Sotaque (Sivuca / Ana Terra)
2. Dom Divino (Jurandy da Feira)
3. Mares Potiguares (Mirabeau / Capinan)
4. Atrás do Circo Voador (Aroldo / Levi / Abel Silva)
5. Fervendo de Amor (Ronald Pinheiro / Papa Kid)
6. Nova Ilusão (Pedro Caetano / Claudionor Cruz)
7. Cidade de Conde (Afonso Gadelha / Glória Gadelha)
8. Éramos Dois (Dominguinhos / Mariah Penna)
9. Papo de Anjo Baba de Moça (Mú Carvalho / Guilherme Arantes) - com     Mú Carvalho
10. Deslumbrante Moço (Thereza Tinoco)
11. ''Homenagem a São João'':
      São João na Roça (Luiz Gonzaga / Zé Dantas)
      Brincadeira na Fogueira (Antônio Barros)
      Olha Pro Céu (Luiz Gonzaga / José Fernandes)
12. Evocação (Nelson Ferreira)

1983 - Frágil Força

1. Odalisca Em Flor (Moraes Moreira / Waly Salomão)
2. Frágil Força (Luis Melodia / Ricardo Augusto)
3. Hora Adora (Beti Niemeyer)
4. Mar Azul (Chico Guedes / Terezinha de Jesus / Babal)
5. De Mansinho (Enoch Domingos / Jotabê Campanholi)
6. Baú De Brinquedos (Nonato Luiz / Abel Silva)
7. Vento Leste (Paulo Debétio / Waldir Luz)
8. A Paixão (Mirabô / Capinan)
9. Bumerangue (Moraes Moreira / Abel Silva)
10. Beijo na Bochecha (Moacir Albuquerque / Tavinho Paes)
11. Linda Flor (Ai Ioiô) (Henrique Vogeler / Luis Peixoto / Marques Porto)

[ Fonte www.cantorasdobrasil.com.br ]


ENTREVISTA / O SOTAQUE DE TEREZINHA DE JESUS
[ 25 DE OUTUBRO DE 2003 ]
Por Roberto Homem

Encontrei Terezinha de Jesus por acaso na Bienal do Livro de Natal. Ela estava com seu companheiro Falves Silva, que imediatamente responsabilizou-se pelas apresentações. Depois dei uma carona a ela e a Falves até o Conjunto Ponta Negra. Eu estava participando da Bienal e deixava o Centro de Convenções acompanhado pelo meu amigo Costa Júnior (um dos sócios do jornal Zona Sul, o outro é Édson Benigno). No percurso surgiu a idéia: tentar resgatar um pouco da história de Terezinha, que é uma das mais importantes intérpretes nascidas no Rio Grande do Norte. A conversa se deu no dia seguinte, no estande do Senado, na Bienal. O resultado pode ser conferido a partir de agora. (Roberto Homem)

Quem é: Terezinha de Meneses Cruz nasceu em Florânia, no Rio Grande do Norte, a 3 de julho de 1951. "Tenho 52 anos bem vividos", disse Terezinha sem titubear, logo no início da entrevista, ao ser perguntada se teria algum problema em divulgar sua idade. A discografia da seridoense inclui os elepês Vento Nordeste (1979), Caso de Amor (1980), Pra Incendiar Seu Coração (1981), Sotaque (1982) e Frágil Força (1983). A estréia no vinil se deu em um compacto lançado pela Funarte, em 1978, pelo projeto Vitrine. Esse registro está disponível em CD da gravadora Atração, junto com as primeiras gravações de Zizi Possi, Oswaldo Montenegro, Cláudia Savaget e Mongol, com participação de Grande Otelo. Os CDs lançados por Terezinha foram 20 Sucessos de Terezinha de Jesus (1997), pela Sony, e Mares Potiguares, uma produção independente datada do ano passado.

Início:
ZONA SUL: Como Terezinha de Meneses Cruz transformou-se em Terezinha de Jesus?
TEREZINHA: Sou batizada como Terezinha mesmo, o diminutivo de Tereza. Quando comecei a cantar, eu tinha um apelido: Tiazinha. O grande poeta e compositor Abel Silva achava que esse era um nome muito familiar para ser o de uma artista. Lógico que essa Tiazinha de hoje ainda não tinha aparecido. Então Abel Silva decidiu sugerir um nome artístico pra mim. Uma certa ocasião ele perguntou o que eu achava de Terezinha de Jesus. Eu achei ótimo, lindo. Um nome bem brasileiro, que vem do folclore de Portugal. Tem até aquela musiquinha... Capinam e Paulinho da Viola, que estavam conosco, também gostaram. Com o aval de tantos poetas, resolvi, ali, passar a utilizar Terezinha de Jesus.

ZONA SUL: Como começou a cantar?
TEREZINHA: Minha família é toda musical. Em Currais Novos, quando criança, eu cantava em coral de colégio. Mas era com aquele monte de gente, eu não era solista. Quando vim do interior para Natal, minha irmã, Odaíres, já era cantora. O marido dela, Mirabô, também cantava, tocava e compunha. Fui convidada por eles para fazer uma participação especial em um show chamado Explo 70, no Sesc da Cidade Alta. Minha primeira aparição pra valer foi essa, em 1970. Depois da apresentação - que englobava artes plásticas, mostra audiovisual e um monte de coisas - disseram que eu não podia parar.

ZONA SUL - Quando você extrapolou as fronteiras do estado? Tentou seguir carreira em qual lugar?
TEREZINHA - Fiquei cantando aqui em Natal. Uma das boas lembranças que tenho é a participação em um festival de música popular nordestina. Eu cantei uma música de dois compositores potiguares: Ivanildo Cortez e Napoleão Veras. Quero Talvez Uma Nega era o título. Vencemos em Natal e Recife e perdemos em Salvador. Continuei em Natal por mais dois anos, integrando uma turma que tinha, além de mim, Mirabô, Márcio Tarcino, Expedito e outros. Era o Grupo Opção. Fomos todos para o Rio de Janeiro.

No Rio de Janeiro:
ZONA SUL - O sucesso chegou rápido? Foi fácil?
TEREZINHA - No Rio, antes de gravar, até 1978, 1979, eu trabalhei muito. Fui vocalista de Tim Maia, fiz vários jingles, gravei com o Trio Esperança, com os Golden Boys, o Quarteto em Cy... Sempre fazendo vocal. Depois, a convite de Fagner, que estava na CBS, gravei meu primeiro elepê. Eu já tinha repertório e muita gente me conhecia. Os shows que eu fazia estavam sempre lotados. Ía muita gente do meio artístico e jornalistas. Fagner perguntou se eu queria gravar. Claro que respondi que sim. Como tinha o aval de Fagner, entrei direto no estúdio, sem precisar de testes nem nada.

ZONA SUL - E o disco? Fez sucesso?
TEREZINHA - A repercussão de Vento Nordeste foi muito boa. A CBS nem pensava em trabalhar o elepê, em investir na divulgação. Só que, de cara, o disco vendeu três mil cópias. Aí eles resolveram me botar em campo, promover viagens para shows em São Paulo. Na verdade, a princípio eles não acreditavam. Gravaram o elepê para atender a um pedido de Fagner. Mas até hoje músicas como Curare, Vento Nordeste e Na Direção do Dia (também conhecida como Toada, música que depois foi gravada pelo Boca Livre) ainda são lembradas.

ZONA SUL - Como era a vida naqueles tempos do Rio?
TEREZINHA - Eu fiz muito programa de televisão. Participei do Chacrinha, do Fantástico... Estive em todos os musicais da TVE. Quando fui ao Chacrinha pela primeira vez, estava com medo de que fizessem comigo aquela onda de jogar pó de café. Mas, antes de eu entrar no palco, prometeram não jogar nada em mim. Fiz Chacrinha tanto na TV Bandeirantes quanto na Globo. Nessa emissora também participei de um programa chamado Geração 80, que passava nas tardes dos sábados. Fiz muitas vezes Almoço Com As Estrelas. Aliás, esse foi o primeiro programa em rede comercial do qual participei. Até então eu tinha feito vários especiais na TVE do Rio e na TV Cultura de São Paulo. O primeiro foi ao lado de Joanna, que também estava começando.

ZONA SUL - Além dessa história do temor de ser atingida por pó de café no programa do Chacrinha, você lembra algum outro fato inusitado na sua carreira?
TEREZINHA - Sim. Depois do primeiro disco, todas as vezes que eu lançava um novo a CBS fazia um clip para distribuir junto às emissoras de televisão. Eu estava gravando em umas dunas na Barra da Tijuca. Tinha dez crianças comigo. A música era Odalisca Em Flor, gravada no meu último elepê. Falava em elefante. Mas como alugar um elefante saía muito caro, eles optaram por uma leoa filhote. De repente, a leoa avançou em mim. Senti aquele peso na bunda. Mas a sorte é que não me feriu. Ficou só o vermelho da marca das unhas ou dos dentes do bicho, não tenho certeza. Também não inflamou, nem precisei tomar vacina. Mas o susto foi grande.

ZONA SUL - Qual o maior sucesso de sua carreira?
TEREZINHA - A música de maior sucesso foi Pra Incendiar Seu Coração, de Moraes Moreira e Patinhas. Aliás, Moraes Moreira é um dos meus compositores favoritos. Mirabô também. Gosto muito de Paulinho da Viola e de Fagner. Gravei uma de Fagner, depois de vê-lo cantando, que ele sequer pensava em gravar. Foi a música Cigano, que se destacou muito no meu elepê Vento Nordeste e posteriormente foi sucesso com ele também. Fagner, Paulinho da Viola e Abel Silva ajudaram muito na minha carreira artística.

De Volta a Natal
ZONA SUL: Por que você não continua até hoje tocando sua carreira no eixo Rio-São Paulo?
TEREZINHA - Fiquei muitos anos no Rio de Janeiro. A gente sempre volta para a terra da gente quando as coisas começam a ficar difíceis... Saí da CBS porque quis. Já estava no terceiro contrato e aquilo começava a parecer um casamento. Eu achava que minha carreira não estava evoluindo, que eles poderiam investir mais em mim, que faltava vontade pra isso. Logo após gravar Frágil Força, em 1983, botei na cabeça que se o disco não emplacasse, não fizesse um grande sucesso, eu sairia da CBS. Eu pensava que seria mais ou menos fácil, com tanto tempo de carreira e tantos trabalhos bem feitos, conseguir uma outra gravadora. É um mistério até hoje. Não sei o que aconteceu, mas cansei de procurar. Então resolvi: se não querem que eu cante, então não vou mais cantar. Voltei para Natal em 1994.

Hoje em Dia
ZONA SUL - As amizades daquele tempo não dão uma força para que você possa tentar voltar a impulsionar sua carreira?
TEREZINHA - Meu relacionamento com os cantores, compositores, os amigos daquele tempo, continua ótimo. Eu até precisaria, mas não sou de pedir nada. Eu sou persistente, mas somente até certo ponto. Pelo menos resta o reconhecimento do povo. As pessoas que me cnohecem sabem que fiz um trabalho legal, que ficou marcado. Quando faço shows, cantam comigo. Pra Incendiar Seu Coração, cantam todinha. Esse ano, pela primeira vez, recebi uma homenagem no Rio Grande do Norte. Foi o Prêmio Hangar, pelo conjunto da obra. A premiação teve o patrocínio do Banco do Brasil.

ZONA SUL - O que toca atualmente no seu aparelho de som?
TEREZINHA - Não ando ouvindo muito essa geração mais nova. Ainda dou preferência aos mais antigos, como Milton Nascimento, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa... Também gosto de Marisa Monte. De Natal, gosto de muita gente: Pedrinho Mendes, Geraldinho Carvalho, Cleudo.. Mirabô gravou, no disco que Babal vai lançar, uma música muito boa. Quem ouviu diz que ficou linda. Pra citar as mulheres também, porque se não fica muito machista, tem Odaíres, minha irmã, que também canta muito bem, tem Lane Cardoso, Lucinha Lira, Cida Oliveira e Glorinha Oliveira. Certamente esqueci alguém, já que Natal tem muita gente boa.

ZONA SUL - E os planos para o futuro?
TEREZINHA - Agora em outubro, no dia 21, vou me apresentar no Teatro Alberto Maranhão pelo Projeto Seis e Meia. Será o terceiro do qual participo. Naqueles tempos, fiz Projeto Pixinguinha em Recife, no Rio e em vários outros lugares. Eu pretendo ainda gravar muitas músicas. Minha voz está perfeita. Meu plano é ter a oportunidade de gravar um CD só com músicas inéditas.

ZONA SUL - Você teria algum recado para as pessoas que estão lendo essa entrevista?
TEREZINHA - Queria dar um recado a todo o Rio Grande do Norte. Que o estado dê mais valor aos artistas que nascem nessa terra. Que as pessoas tenham mais orgulho de ser norte-rio-grandenses.

[ Fonte: zonasulnatal.blogspot.com ]




Álbum: Terezinha de Jesus - Nome Potiguar

A cantora potiguar Terezinha de Jesus, apareceu no cenário musical no final dos anos 1970, na leva que trouxe os chamados "artistas nordestinos", para o Sul do País. Ao lado de nomes como Amelinha, Elba Ramalho, Belchior e Fagner.  Foi através do selo comandado por Fagner (então diretor artistico da gravadora CBS), que ela lançou seu primeiro disco, em 1979. "Vento Nordeste", trazia composições de Sueli Costa/Abel Silva, Moraes Moreira, Fagner e Lupicínio Rodrigues, entre outros.

O segundo disco batizado de "Caso de Amor", lançado em 1980, teve sua musica tema incluída na trilha da novela global "As Três Marias", dando assim uma maior visibilidade ao seu trabalho, que reunia um repertório que misturava novos e antigos, e um samba inédito de Paulinho da Viola, que gravou ao seu lado. Em 1981, em seu terceiro disco ganha de Moraes Moreira (presente também em seus discos anteriores), a música "Pra Incendiar Seu Coração", que torna-se sucesso nacional, firmando seu nome em definitivo no cenário musical. Seus trabalhos seguintes, no entanto "Sotaque" (1982)  e "Frágil Força" (1983), sucumbem em meio a banalização que a música brasileira começava a viver na década de 80. Embora, com repertórios da melhor qualidade, ficaram esquecidos e selam o destino musical da cantora, que sem gravadora, amarga período de grande ostracismo, a que foi regalada tambem outros artistas de igual valor, que se viram sem rumo, ao se deparar com a ávidez das gravadoras, e a pasteurização da arte, vivida naquela época. Depois disso, voltou a viver em Natal, fazendo esporádicos shows pela cidade, não tendo voltado mais a gravar nenhum  trabalho.

Nenhum dos seus discos teve lançamento em CD até agora. Apenas uma coletânea, lançada em 1997, com alguns de seus sucessos, e hoje já fora de catálogo é seu único registro digital. Mas, a moça tímida de olhos verdes, e voz suave, que soube tanto cantar sua terra, quanto cantar o amor, e teve ao seu lado os melhores compositores e artistas da MPB, registrando Sambas, Baiões, Xotes, Frevo e resgatando compositores como Bororó, Anísio Silva, Luiz Bandeira, Lupicínio Rodrigues, numa época onde o eclestismo, ainda não era a senha das cantoras modernas de gerações posteriores,  fez bonito sua parte, e eu aqui, seleciono algumas das muitas gravções de seus 5 discos, numa seleção pessoal, na esperança que os que nunca ouviram falar nela, a conheçam, e que outros relembrem de uma voz que poderia ter ido além, se as limitações do mercado não fossem tão crueis com alguns artistas, que levam o fazer música a sério, como uma arte, uma missão. Terezinha de Jesus, um nome potiguar.

Álbum: Nome Potiguar
Artista: Terezinha de Jesus

01. Pra Incendiar seu Coração (Moraes Moreira/Patinhas)
02. Tua Sedução (Moraes Moreira/Fausto Nilo)
03. Amizade (Beto Marques)
04. Sotaque (Sivuca/Ana Terra)
05. Cidade Submersa (Paulinho da Viola)
06. Caso de Amor (Wilson Cachaça/Ronaldo Santos)
07. Aves Daninhas (Lupiscínio Rodrigues)
08. Fulô da Maravilha (Luis Bandeira)
09. Vento Nordeste (Sueli Costa/Abel Silva)
10. Qui Nem Jiló (Luiz Gonzaga/Humberto Teixeira)
11. Asas (Fagner/Abel Silva)
12. Curare (Bororó)
13. Na Direção do Dia (Zé Renato/Juca Filho/Cláudio Nucci)
14. Linda Flor (Luiz Peixoto/Henrique Vogeler/Marques Porto)
15. Nova Ilusão (Pedro Caetano/Claudionor Cruz)
16. Quando Chega o Verão (Dominguinhos/Abel Silva)
17. Prece ao Vento (Gilvan Chaves/Alcyr Pires Vermelho/Fernando Luiz Camara) - Com Odaires
18. Coração Cigano (Zé Renato/Juca Filho)
19. Frágil Força (Luiz Melodia/Ricardo Augusto)
20. Dom Divino (Jurandy da Feira)
21. Maresia (Sueli Costa/Abel Silva)
22. Por Esse Amor (Ronad Pinheiro/Robertinho do Recife)
23. Odalisca em Flor (Moraes Moreira/Wally Salomão)
24. Evocação Nº 1 (Nelson Ferreira)

[ Fonte: minhasraridadesmusicais.blogspot.com ]

[ Editado por Pedro Jorge ]

Um comentário:

  1. Olá Pedro Jorge!
    Sou fã do Zé Ramalho desde os 9 anos de idade. Temos algo em comum, pelo fato da cantora Terezinha de Jesus - que é minha conterrânea daqui de Florânia/RN - ter feito back-vocal nas músicas Chão de Giz e Vila do Sussego, do disco Avôhai.
    Tenho um blog cultural sobre minha cidade Florânia.
    Acesse www.coisasdeflorania.com e você vai encontrar muita coisa sobre nosso Município, inclusive sobre a cantora Terezinha de Jesus.
    Júnior Galdino ( Florânia/RN, por e-mail )

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